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29 de mar. de 2011

Algodão Doce!



Falar do PIBID é como falar de “algodão doce” para criança que nunca experimentou. É tudo novo, são novas descobertas, novos horizontes a serem traçados e explorados pelos estudantes de licenciatura de Filosofia da UFBA, são Novas formas de enxergar o ensino público do país.
É lutar por novos mundos, novos caminhos, novas metodologias a serem estudadas e aplicadas nas escolas com a supervisão de um professor da área dentro da escola onde o estudante-bolsista atua. Juntos supervisor e o estudante-bolsista trabalham para que o estudante do ensino médio tenha a maior compreensão do texto discutido e debatido na sala de aula. É “algodão doce”, é algodão doce, que deixa nossas mentes adocicadas com ânimo, com incentivo de lutar pela educação do país.
O pibid filosofia é como um raio de sol que veio iluminando sonhos, melhorando a licenciatura de filosofia. Como uma força unificadora esse “algodão doce” está unido e colorido para as crianças deslumbrarem-se e continuarem a explorar novas cores e novos sabores para esse “algodão doce”
Algodão doce é um sonho realizável
Basta querer
Basta ter vontade
Basta da um passo adiante
Basta dizer pra si
Nós queremos ...
Eu quero... fazer parte desse sabor de algodão doce
Eu quero... da vida a essa cor de algodão doce
Eu quero ...eu também quero...
nós queremos mudar uma realidade que nos incomoda.
Algodão doce...Vamos unificar o sabor a cor...algodão doce...

Por Deusdete e Veridiana

24 de mar. de 2011

Na frente lê-se “Escola”

Falta rumo, sumo,

ou reação?

A dor da ferida

nada seria sem a vida

de todo o mar rubro derramado

explodindo de exclamação.

No tablado envelhecido,

a maçã apodrece sobre a mesa

– Ódio ao bicho é merecido

por não tê-la permitido ser a mesma?

Fala rumo, sumo, reação!

Só não ponha no bom-senso do outro

o teu senso de direção.

Onde ocorre o imprevisto

é que se corre do real?

Nenhuma teoria se basta;

resposta é um bem natural.

Não me importa a vã decência

ou o traje pelo qual se porta

frente a juiz, João ou papa;

me interessa o meu gesto, feito presto,

com ou sem ofensa, mas de honra intata.

"Faz por parecer!

O que um dos olhos não vê

os outros consentem!"

Dizia, um dia, a voz vizinha mais bastarda,

hoje na classe de recuperação.

E recupera-se de um tudo:

lápis, livro, lei, larva e lição.

Só não se recupera o coração mudo

e, diante de tanto estudo,

assim não poderia ser o meu. Às mãos...

À obra!

Paulo Ferreira Diniz (16/03/2011)

17 de mar. de 2011

Resenhas dos livros didáticos de Filosofia presentes na Biblioteca do Colégio Estadual Manoel Novaes - II

. [descrição da imagem: capa do livro Textos Básicos de Filosofia]

Textos Básicos de Filosofia - dos pré-socráticos a Wittgenstein, Danilo Marcondes. Ed. Zahar, 1998 - FNDE PNBEM 2008.

Se sou um professor em uma sala de aula e quero ensinar genética aos meus alunos, devo lhes explicar as propriedades, os desdobramentos, mostrar representações de livros ou esboça-las no quadro, e pedir, implicitamente, que acreditem em mim e na existência do que não está ali. Para um fato histórico, o mesmo. Narrarei quais os protagonistas, as causas, as consequências, mas, por infelicidade, não poderei trazer o passado de volta e colocá-lo em cima do tablado, a favor da significação. Já na filosofia, para ser fiel a sua raiz, só há atividade se cada discurso filosófico for refeito aos olhos de quem deseja compreendê-lo; se não for apontado apenas como existente, mas se revelado, em seu ciclo de princípio e fim, como se voltasse à vida naquele instante. Se não há como um cientista demonstrar o genoma ou Napoleão novamente invadir a Rússia durante as explicações, um de Ciências, outro de História, na Filosofia é um dever que os pensamentos a ela voltados tornem a pensar quando em menção, para não se correr o risco de transformar-se também em ciência e em história.

No livro Textos Básicos de Filosofia – dos Pré-Socráticos a Wittgenstein, Danilo Marcondes traz a oportunidade do gesto. Em vez de deixar-se somente em apontamentos e resumos das filosofias, ele as faz brevemente para em seguida abrir espaço aos recortes das fontes, nos quais um pensamento de um filósofo faz seu trajeto. O autor não nega o caráter histórico, pois do contrário se diria que todas as filosofias estão em um mesmo plano atemporal, e não esquece as biografias, as prévias de cada obra a ser destacada, mas foca o texto do próprio filósofo, sem inscrever nelas análises minuciosas, cedendo ao leitor a tarefa com as questões apresentadas. Trata-se de uma compilação muito bem escolhida e com fundamentos de ensino que primam ao mesmo tempo pelo argumento e pela tradição.

Em suas considerações, porém, Marcondes comete muitas vezes generalidades que despontam nos didáticos a que eu lhe retirava a semelhança. O gosto pelos confrontos e progressão de ideias entre os filósofos, por exemplo. Colocou rivalidade entre Parmênides e Heráclito, enfatizou as disputas entre Platão e Aristóteles, trazendo dois textos do último em que há críticas diretas ao primeiro, e fez ainda deles times para Santo Agostinho e São Tomás de Aquino jogarem contra (além de afirmar que Tomás “reabilita a filosofia de Aristóteles - até então vista sob suspeita pela Igreja...”, quando tantos escolásticos, e mesmo os árabes e os judeus, o fizeram durante toda a Idade Média). Chega a cometer ambiguidades, como na questão sobre os fragmentos de Heráclito, em que pergunta “que fragmentos representam a ‘relatividade’ de nossa experiência da realidade?”, para páginas depois, já sobre Platão, declarar: “A posição dos sofistas era anti-teórica e relativista”. Então Heráclito era um tipo de sofista?

Os textos também vazam alguns problemas, advindos das dificuldades de edição de tantos autores. Como não é possível simplesmente reproduzir as traduções de cada obra publicada pelos grandes especialistas, mas só algumas, muitos trechos ou foram transpostos para o português pelo próprio Danilo Marcondes ou por convidados. Isto não é um prejuízo em si mesmo. Trechos curtos podem ser transpostos da língua original com fidelidade, por conhecedores, como em alguns momentos ocorreu. Entretanto, não há tanto esmero, comparados aos textos já editados, em outras ocasiões. É o que dá margem a erros. Na tradução de Marcus Penchel para a primeira frase de Discurso do Método, ficou "O bom senso é a coisa mais comum do mundo", o que é bem diferente de "O bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada" de Guinsburg e Bento Prado Júnior. Pior é a tradução de Marcondes para o fragmento 35 de Heráclito, em que elabora: “Homens que amam a sabedoria precisam ter muitos conhecimentos”. O impasse não é só de fidelidade de tradução, para o que José Pessanha corrigiria com "Pois é preciso que de muitas coisas sejam inquiridores os homens amantes da sabedoria", é também de equívoco com o pensamento do filósofo, que em seu fragmento 40, não selecionado por Marcondes, indica: "Muito conhecimento não leva à sabedoria”.

Com o cuidado necessário para acompanhar as prévias dos textos junto aos alunos, para mostrar os motivos de discordância e para corrigir o que for necessário nas traduções, é um livro, acredito, útil para o professor do ensino médio. Principalmente ao se saber que não há clássicos de filosofia nas bibliotecas das escolas públicas e o didático de Danilo Marcondes é um paliativo para a carência. Veiculado pelo Ministério da Educação para todas as instituições de ensino secundário do país, o Textos Básicos de Filosofia – dos pré-socráticos a Wittgenstein se torna um dos únicos acessos do estudante à bibliografia primária da filosofia. É algo a fazer pensar o professor que pode, por que não?, montar a sua própria compilação de textos, sem preocupações editoriais ou de licença, utilizando-se das melhores traduções e das partes que mais lhes parecem destacar o pensamento de um autor, e fazê-la como um dos suportes didáticos da aula, disponibilizando aos alunos para a cópia. Eis uma lição do projeto de Marcondes.


Livro disponível aqui.

texto: Saulo Dourado

2 de dez. de 2010

Manoel Novaes [Deusdete Silva]

Maneco é como a Suzane o chama,

já Raquel é Manequinho - meu lindo

e ainda dizem: estudamos aqui, viu!!!

Oh! Eu não gosto de falar, meu negócio

é fazer.

Mais não faço nada sozinho

somos uma equipe/grupo

Somos um ”corpo ordenado Arquimediano”

Estamos em harmonia

em sintonia com o Maneco

O Maneco hoje não é mais de Sú , nem de Raquel

O Maneco é meu, é seu, é nosso

Ó Maneco lindo!

Ah! Como eu queria ser o Maneco,que

Têm vários amigos

Tantos estudantes

Ah! Maneco como tu és lindo!

Lindo!

Deusdete Silva

17 de nov. de 2010

Banquete Filosófico na semana da consciência negra no Manoel Novaes

O PIBID FILOSOFIA promoverá no Colégio Estadual Deputado Manoel Novaes a primeira edição do BANQUETE FILOSÓFICO. O Banquete é uma obra do filósofo Platão, em que os gregos se reuniram para falar sobre o Amor. Nessa primeira edição do Banquete Filosófico, a princípio, não falaremos de amor, mas sobre a nossa ancestralidade africana, em homenagem à semana da consciência negra. O PIBID FILOSOFIA UFBA realiza o evento trazendo para o colégio a presença do especialista em Filosofia Africana no Brasil, o professor Eduardo David Oliveira, da Faculdade de Educação da UFBA. Além disso, haverá exibição de vídeos e apresentações artísticas, com o objetivo de promover uma discussão filosófica sobre as nossas origens.




PROGRAMAÇÃO:

O QUÊ: Banquete Filosófico

TEMA: Ancestralidade Africana

ATRAÇÕES: Exibição de vídeos, presença do professor Eduardo Oliveira (FACED – UFBA) e apresentações artísticas.

ONDE: Auditório do Colégio Estadual Dep. Manoel Novaes (3° andar)

QUANDO: 19 de novembro de 2010, sexta-feira, 19 horas

TURNO: Noturno

PÚBLICO ALVO: Alunos do 1° e 2° ano, funcionários, professores do turno noturno e demais interessados

15 de nov. de 2010

Coisa linda...

Coisa linda é ver a Raquel e a Suzane no Manoel Novaes como bolsistas do Pibid-Filosofia. Por lá viveram os tempos inesquecíveis de uma doce juventude, tempo em que a colheita ocorre no mesmo tempo que a semeadura, pois há tanta vida, e tantos planos e sonhos entrelaçados aos corredores, às salas de aula, às escadas, ao pátio cheio de olhares e conversas.

Coisa linda é vê-las, agora, boas filhas que à casa tornam, para mostrar aos estudantes que o sonho é possível, que a escola é o caminho da vida com sentido e com gosto de futuro. Que injeção de ânimo que deve ter, para os estudantes do Maneco, saber que aquelas moças ali, bem diante deles, tão bem entrosadas numa iniciação à docência e vindas da universidade federal, estiveram no mesmo lugar em que eles estão! Que esperança saber que ali, na figura dessas moças, a universidade acena para eles como uma possibilidade!

Coisa linda é ver Suzane e Raquel em suas fotos, quando eram alunas no Manoel Novaes. Fotos que mostram um ponto, um dos começos da estrada que vem desde lá até aqui, ao pé dos lindos textos que elas postaram neste Blog. A estrada de suas vidas que vem dar mais vida ao nosso Pibid. Que bom seria se todos nós pudéssemos voltar às nossas escolas, aos mesmos corredores e pátios em que demos risadas gostosas e derramamos as lágrimas sentidas e pudéssemos dizer: aqui me fiz e aqui de novo estou, para mostrar com a filosofia que temos um futuro nas mãos...

Lamento profundamente a minha fala infeliz sobre o alegado vínculo meramente formal dos bolsistas às escolas em que atuam. Isso não é possível e nem desejável num programa como o nosso. Coisa linda é ver como a experiência de Raquel e de Suzane espalha benefícios e contribui para legitimar e dar sentido aos esforços de todos nós.


Sílvia.

13 de nov. de 2010

Quem é você?

Giorgio de Chirico,A Esfinge questionando Édipo,1966
Destino
Tenho medo
de
procurar
nos vazios
nos ocultos
nos achados e perdidos.
Por Suzane lopes

12 de nov. de 2010

Ida ao teatro [Heitor de Oliveira]

Hoje, sexta-feira do dia 12 de novembro, eu, Suzane e Raquel levamos alguns alunos do Manoel Novaes para a peça ÉDIPO REI, uma adaptação do texto de Sófocles.

Senti uma felicidade grande quando uma das alunas disse que gostou da peça, sem que nenhum de nós perguntasse, fez isso espontaneamente, justamente a aluna que menos tem vontade de falar, como se falar lhe causasse dor ou cansaço. Ela falou e me deu fortes esperanças de um mundo mais humanizado

Isso também me diz do valor político e social da arte, arte é política não pelos seus conteúdos expressivos (não que estes também não sejam), mas enquanto liberação do uso do tempo, da alteração dos ritmos impostos pela racionalidade do trabalho, da elevação das exigências sociais, porque quem goza da cultura sabe que só comida não basta.

Gozar a arte é melhorar o padrão de vida, isso as elites sabem bem, e sentem que um menino da “favela” é mais perigoso quando tem um livro de Clarice Lispector nas mãos, ele começa a pensar que “é gente”, que tem direito de amar e viver melhor, num sentido mais rico que o gozo imediato das satisfações materiais do consumo.

Por isso agradeço a Suzane e a Raquel por terem a brilhante idéia de levar os alunos para a peça de hoje.

Por Heitor Reis de Oliveira

11 de nov. de 2010

Cine sophia

(Bastidores)



(Ilmaci,bibi e Deusdete na cozinha do Manoel Novaes)


(bibi e Deusdete com a mão na massa,quer dizer a mão na pipoca!)

(Depois de trabalhar)
Suzane Lopes

7 de nov. de 2010

Filosofia na Cozinha [Vera Mutti]



Na atualidade muito se tem falado sobre administração escolar. Discute-se meta, aplicabilidade de recursos, ações pedagógicas e principalmente planejamento. A administração escolar está moldada nos aspectos de administração de empresa, sendo esta, segundo suas características, baseada na lógica de mercado. Mesmo no setor educacional público, esta abordagem torna-se legítima, na medida em que seus gestores, sujeitos sociais, incorporam o movimento pragmático da sociedade. Desta forma, somos induzidos a nos aproveitar da imagem, do tempo e do espaço que convivemos. Nada pode ser perdido. Tudo é rápido fugaz e facilmente substituído.

A escola é um espaço físico, está situada em um contexto social próprio e é composta por pessoas imbuídas dos pressupostos desta sociedade. Como gerir esse espaço sem perder a perspectiva do educar? Que olhar devemos ter para ela no sentido de organismo vivo e pulsante das representações sociais? Como mediar à relação ensino/aprendizagem na perspectiva do sujeito inserido no mundo da velocidade?

Caminhado e escutando os espaços vivos da escola (corredores, salas de aula, sala de professores, direção, coordenação, biblioteca, cozinha...), percebendo suas relações, conflitos e necessidades, nos perguntamos: como colocar em prática nossas perspectivas, traçadas com tanta esperança e confiança no Plano de Trabalho do Bolsista do Pibid?

Foi partindo desta inquietação que chegamos à perspectiva administrativa abordada no inicio deste texto. Concluímos que precisávamos administrar aquilo que nos estava sendo exposto, ajustando nossos objetivos e buscando o ponto central a ser trabalhado. Resolvemos nos focar naquilo que consideramos de maior importância, motivo real da educação: o educando. É para este sujeito que todas as qualidades e deficiências da instituição apontam. Destarte, detectamos que somente através da interação com esse sujeito, da inserção em seus espaços e do diálogo poderíamos realmente pensar o espaço escolar como um espaço comunitário e de construção do saber.

O projeto Filosofia na Cozinha nasceu da análise dos espaços da escola. Na cozinha (na escola não tem um espaço que possa ser denominado refeitório) os estudantes se reúnem para a “merenda”, o bate-papo, o debate sobre as aulas, a feitura apressada dos trabalhos escolares, a risada e principalmente a alimentação. Lá encontramos a diversidade, as histórias de vida, a espontaneidade, a timidez e as expectativas de cada individuo em relação à escola. O nome Filosofia na Cozinha surgiu instantâneo à inerência do espaço ocupado. No entanto, não morre em si mesmo caracterizando um espaço como território único. Pretende, junto com a escola inquietante e que se movimenta, inquietar-se e movimentar-se com ela, construindo outros nomes e ocupando outros espaços.


O objetivo do projeto é construir relação de confiança, diálogo e aprendizagem com os estudantes, assim como, estabelecer integração com os funcionários e professores, na medida em que entendemos espaço comunitário como espaço de relações e reciprocidade. No caso do estudante, optamos pelo modelo de trabalho inicialmente elaborado por David Paul Ausubel, psicólogo da educação estadunidense, denominado “Aprendizagem Significativa” cujo objetivo é priorizar os conhecimentos e aprendizagens já elaboradas anteriormente pelo sujeito, no intuito de construir significado para o que se está aprendendo. No Brasil podemos destacar Paulo Freire como dialogante desse modelo de educação, estabelecendo, no entanto, um método próprio para trabalhar com a alfabetização de adultos.

Através de apresentação de curtas, previamente analisados, tentamos nos adequar ao cronograma da disciplina de Filosofia, trabalhando através da imagem e daquilo que o estudante visualiza nela, a concepção crítica da temática abordada. O estudante é incentivado a falar e/ou escrever suas percepções, a fazer ligação com sua realidade e estabelecer um parâmetro com o que está sendo trabalhado em sala de aula. Momentos temáticos também são aproveitados com objetivo de fazer a ligação com outros projetos da escola e dos bolsistas do Pibid.

Nesta medida, através da experiência adquirida com a proposta do projeto, pretendemos posteriormente tabular informações, produzir material escrito e visual, assim como, tomando como base a proposta do Pibid de “iniciação à docência”, testar novas formas para a prática docente, tomando como base os teóricos da educação e as abordagens filosóficas.


Por: Vera Lúcia Santos Mutti Malaquias




5 de nov. de 2010

Resenha do livro "Exercícios Filosóficos" de Madeleine Arondel-Rohaut [Saulo Dourado]


Da série Resenhas dos Livros Didáticos de Filosofia presentes na Biblioteca do Colégio Estadual Dep. Manoel Novaes

-I-

Estamos em bons passos ao discutir se a disciplina de filosofia no 2º grau deve recorrer ao ensino da história dos seus pensadores, sistemas e conceitos ou se à separação em seus eixos, como, por exemplo, “ética”, “estética”, “política”. Entretanto, ao fazê-lo entre ensino histórico ou temático, esquecemos de um terceiro modo, mas não por descuido, pois, sem nomear qual seria ele, já o discutimos com base nos primeiros dois textos nossos de leitura e com a exposição, em especial, do colega Fabiano. Trata-se da possibilidade do ensino cognitivo* da filosofia, ou seja, de um ensino que esteja mais preocupado em apresentar recursos para a análise filosófica de argumentos do que propriamente insistir em conteúdos. Como sei que o assunto caminharia para outro texto, me limitarei apenas a dizer que o Exercícios Filosóficos da Profª Madeleine Arondel-Rohart se identifica com tal didática e, assim, apresentei de antemão a sua proposta.

O livro é resultado de uma experiência de vinte e cinco anos em sala de aula. Não possui bibliografia secundária; na última página só há os autores da tradição, citados para embasamento reflexivo em alguns tópicos. No prefácio existem apenas os pressupostos da obra, nenhuma filiação ou fonte direta. Pode parecer um ensaio à moda antiga, uma crítica ao modelo acadêmico ou mesmo um tipo de depoimento técnico, mas não necessariamente. A autora busca mais fazer do corpo do seu texto o mesmo campo de prática que lhe consistiu o entendimento do ensino da filosofia; traz as matrizes do seu trabalho, mas sem discuti-las ou querer-nos convencer delas em justaposição à outra. Não se preocupa em sustentar com rigor a base teórica, mostra o seu procedimento com exemplos, com os exercícios que promove em sala de aula, sem em nenhum momento citá-la.

Quais seriam estes exercícios filosóficos que dão, inclusive, título à obra? Basicamente a análise de enunciados e de perguntas isoladas, numa divisão de quatro capítulos, que procuram dar foco a determinado tipo de exame cada um, porém sempre mantendendo três fases de pensamento - análise, exame dos pressupostos e pistas de reflexão. A primeira fase, a análise, procura entender termo a termo o que está sendo dito, a segunda quais os sentindos por trás do enunciado ou da questão e o terceiro é a procura de uma conclusão possível para o trajeto de pensamento proposto. Outro ponto em comum nos capítulos é o desfecho Recapitulando, com os detalhes de bastidores do procedimento da autora e os cuidados para quem for pôr em prática os exercícios ao seu próprio modo.

O capítulo 1 é o “Sentido do Senso Comum. Evidências Comuns”, em que expressões populares são postas em exercício. Um “foi mais forte do que eu!” ou “estar caído por alguém” ou “é verdade porque eu vi!” ganha em média oito páginas de depuração, sem que haja fuga do tema ou devaneios, de acordo com o cuidado que a própria autora se impõe no prefácio. Assim também no segundo capítulo, “Do Oráculo ao Enigma? Perguntas”, quando as perguntas mais eminentemente filosóficas recebem palco. Parecidos são os capítulos seguintes, mas com a especialidade em escape de armadilhas. O terceiro “Enganadora Facilidade. Formulações Claras Demais” identifica tipos de questões que incitam a resposta pronta e, por isso, nos causa a traição de pôr a verbo mais as nossas crenças pessoais, nossos preconceitos do que a análise conceitual exigida. Mesmo que no fim à conclusão leve ao que a nossa crença já predizia, não poderíamos jamais partir logo de nossa opinião pessoal. E para deixar bem claro, a autora usa um recurso interessante: à cada pergunta, responde primeiro enganando-se e depois se diz “Opa, não é bem assim”, para enfim examinar a fundo o ponto. O quarto capítulo “Sair do Estupor Paralisante. Formulações Obscuras” caminha pelo oposto. Nele há uma busca de como rearranjar perguntas mal-elaboradas ou de difícil compreensão para, em um mesmo sentido, torná-las mais precisas.

Pode soar, à primeira vista, uma escrita com chamados ao percurso técnica ou à “análise fria”. Não, é justamente o que a autora parece combater. Em suas análises, Arondel-Rohaut, o que para mim foi uma agradável surpresa, chega a empolgar, sob uma evidente simpatia do método socrático. Ela traz conceitos de grandes filósofos para a argumentação e não deixa a análise de enunciados cair em uma interpretação de textos sem especificidade filosófica. Não é um livro para professores de redação ou de línguas, e sim de fato para os de filosofia. E daí talvez o seu problema como livro didático: é uma boa fonte para professores e estudantes de licenciatura, não para alunos de 2º grau. Apesar da linguagem acessível, é mais útil como mostra de método a se utilizar na sala de aula do que como texto de leitura entre os estudantes, embora, claro, com habilidade, possa ser utilizado para este último fim. Recomendo então aos nossos estudos, com a convicção de que é um quadro com muitos recursos a serem apropriados.

Por Saulo Dourado

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Referência bibliográfica:
Exercícios Filosóficos, Madeleine Arondel-Rohaut - Ed. Martins Fontes, 2005 - Trad. Paulo Neves. 140 p. FNDE PNBEM 2008.

Rohaut



Reunião







Contribuição Suzane lopes

31 de out. de 2010

Nostalgia e expectativa [Raquel Maciel]

Toda vez que entro no Manoel Novaes sinto um cheirinho de nostalgia... Me lembro dos anos que estudei lá, das aulas de teatro, das peças inesquecíveis que apresentei, das aulas de música e de artes, dos intervalos no pátio, das brigas com a direção da escola, das passeatas da Revolta do Busú. Acho engraçado quando os alunos me chamam de professora e adoro a cara de surpresa deles quando digo que estudei lá.Tenho muitas lembranças boas da escola que hoje entro como bolsista do Pibid.

Hoje, fuçando algumas fotos antigas, encontrei as fotos da época do teatro com a professora Andreia Andrade, hoje supervisa do Pibid Teatro na escola. As fotos são da peça "Mais Será o Fim do Mundo?" que junto com os colegas do teatro ajudei a construir. Confesso que fico emocionada toda vez que vejo essas fotos. O Manoel significa muito pra mim. Lá aprendi a dar valor a arte, me envolvi com política, fiz amigos inesquecíveis. Mesmo os diversos problemas que enfrentávamos na escola (e que por sinal ainda existem) foram motivos de aprendizagem.


Eu de louca com Val, hoje bolsista do Pibid Teatro

"O que é ruim agora? Quem disse o que é bom?Quem disse o que é errado? Quem foi? Que apareça! "



Hoje eu vejo velhos e novos amigos juntos trabalhando na velha escola. Me sinto importante, me sinto em um momento importante na história do Brasil. Sou privilegiada por está em uma universidade pública e por estar entrando na docência no momento em que a Filosofia volta à sua obrigatoriedade no ensino médio. Sinto-me construtora do Brasil, pois o professor é quem está na frente da batalha por essa construção. Temos tanto trabalho pela frente. Tantos anos de abandono do ensino público. Será que isso vai mudar? Será que já está mudando?

Eu de jornaleira, anunciando o fim do mundo.

"Extra! Extra! Folha Universal do Bispo Macedo -Pague o dízimo antes que o mundo acabe! Extra! Extra! Correio da Bahia - ACM comprova: fim do mundo é culpa da oposição"

Sinto que uma das grandes dificuldades é enfrentar concepções arcaicas de ensino. Ao mesmo tempo fico pensando se concepções mais “moderninhas” são realmente eficazes. Ainda não sei de muita coisa sobre Filosofia e docência, só quero dar o meu melhor, retribuir o tanto que aprendi naquela escola e torcer pra que essa chama não se apague.

Eu digo isso tudo assim, nostálgica e cheia de expectativas, que quero ser motivo de boas lembranças para os alunos do Manoel e das futuras escolas que vier trabalhar. Eu sei que é possível e quero ajudar a construir um Brasil mais forte através da educação.










por Raquel Maciel