9 de dez de 2015

Filocanção: a música como convite ao filosofar



           Pensando em uma forma de aproximar a filosofia do contexto dos estudantes do Ensino Médio, o projeto "Filocanção", formulado pela bolsista Dora Lopes, propõe uma abordagem de questões filosóficas importantes, tais como ética, moral, alienação, ideologia, existência, determinismo, livre-arbítrio, mutabilidade, morte, autonomia, felicidade, tecnologia, etc., por meio da escuta e interpretação de letras de canções, da música popular brasileira – MPB. O objetivo é despertar, nos estudantes, críticas e reflexões partindo dos temas cotidianos, apresentados pelas músicas, porém fazendo um “link” nos textos clássicos da filosofia. A utilização da música, na sala de aula, insere um elemento didático de caráter lúdico e de linguagem mais acessível. Podendo promover uma maior receptividade para questões filosóficas, que muitas vezes não é apreendida pela simples leitura dos textos clássicos ou do livro didático. Desta forma a música promove uma maior abertura dos estudantes, provocando uma quebra da postura de rejeição frente à filosofia, tida como de difícil compreensão, chata e essencialmente ateia.

Para iniciar o projeto, foram escolhidas um total de seis músicas:  duas músicas do pop rock: Admirável Chip Novo, de Pitty; e A televisão, dos Titãs, e quatro músicas de diversos gêneros: Depende de Nós, de Ivan Lins; Tocando Em Frente, de Almir Sater; Cérebro Eletrônico, de Gilberto Gil e Sobradinho, de Sá e Guarabira. O norte dessa escolha foi trazer músicas conhecidas, que utilize m uma linguagem bem acessível e que tenham um discurso mais direto. Com essas seis músicas iniciais, são tratados temas como, liberdade e determinismo, consumismo, alienação, papel político do homem, existencialismo, vida e morte, revolução científica.
Como ilustração da atividade, segue música da artista Pitty, Admirável Mundo Novo, e os exercícios propostos aos estudantes a partir da escuta da música em sala de aula.

Admirável Chip Novo 
Pitty 
Pane no sistema, alguém me desconfigurou 
Aonde estão meus olhos de robô? 
Eu não sabia, eu não tinha percebido 
Eu sempre achei que era vivo 

Parafuso e fluido em lugar de articulação 
Até achava que aqui batia um coração 
Nada é orgânico, é tudo programado 
E eu achando que tinha me libertado 
Mas lá vem eles novamente, eu sei o que vão fazer 
Reinstalar o sistema 

Pense, fale, compre, beba 
Leia, vote, não se esqueça 
Use, seja, ouça, diga 
Tenha, more, gaste, viva 

Pense, fale, compre, beba 
Leia, vote, não se esqueça 
Use, seja, ouça, diga 

Não, senhor, sim, senhor 
Não, senhor, sim, senhor 

Pane no sistema, alguém me desconfigurou 
Aonde estão meus olhos de robô? 
Eu não sabia, eu não tinha percebido 
Eu sempre achei que era vivo 

Parafuso e fluido em lugar de articulação 
Até achava que aqui batia um coração 
Nada é orgânico, é tudo programado 
E eu achando que tinha me libertado 
Mas lá vem eles novamente, eu sei o que vão fazer 
Reinstalar o sistema 

Pense, fale, compre, beba 
Leia, vote, não se esqueça 
Use, seja, ouça, diga 
Tenha, more, gaste, viva 

Pense, fale, compre, beba 
Leia, vote, não se esqueça 
Use, seja, ouça, diga 

Não, senhor, sim, senhor 
Não, senhor, sim, senhor 

Mas lá vem eles novamente, eu sei o que vão fazer: 
Reinstalar o sistema 

Hora de filosofar: 
1. Destaque na letra da música quais os imperativos de comando, que influenciam ou corrompem nossas escolhas. Diga quais as fontes desses comandos na atualidade. 
2. A música retrata o modo como somos “programados” a realizar escolhas que beneficiam os outros. Em que parte da música aparece o mecanismo utilizado para que tudo continue igual? 
3. A liberdade pode ser expressa nas escolhas que fazemos durante todo o tempo. Diga como é possível agir com liberdade, diante do apelo consumista contemporâneo. 
4. Você ou alguém de seu convívio já foi influenciado por propagandas a adquirir algo que não tinha tanta necessidade? Exemplifique. 
Leitura recomendada - Poema de Carlos Drummond de Andrade: Eu etiqueta. 

Por: Equipe PIBID Filosofia UFBA do Teixeira de Freitas

Um comentário:

  1. Pessoal do Teixeira, não resta dúvidas acerca da sensibilização com música (e mais com a pegada pittyana...) nos encontros de filosofia ser um elemento metodológico relevante para oportunizar, de forma panorâmica, o acesso a constituição do pensar filosófico, sobretudo no momento de escolarização dos adolescentes/jovens. Sucesso!

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